Deverão ser os hospitais geridos por médicos?

18º Congresso Nacional de Medicina Interna

 José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos defende que é o médico quem está em melhor posição para administrar hospitais. Isabel Vaz, presidente executiva do grupo Espírito Saúde, defende que o papel do médico é fundamental, mas que não terá que ser o médico necessariamente a administrar um hospital, quando este trabalho deve ser feito por equipas multidisciplinares. António Ferreira, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de S. João, distingue administração de gestão hospitalar e defende que o médico só estará preparado para a segunda, destacando a capacidade de liderança como elemento fundamental para o gestor de um hospital.

Estas foram algumas das respostas para uma mesma pergunta, feita à Ordem dos Médicos, a um representante do setor da saúde privado e público, num debate com o tema “O papel dos médicos na definição da estratégia na administração dos hospitais” que se realizou ontem, no 18.º Congresso Nacional de Medicina Interna que iniciou quinta-feira e termina no sábado, em Vilamoura.

Isabel Vaz sustenta que a administração dos hospitais deve ser feita, sobretudo, por quem “estiver melhor preparado” dando o seu próprio exemplo: “sou engenheira mas por acaso estou a gerir um hospital”, mas confessando que nunca tomaria decisões cruciais sem consultar a sua equipa e sobretudo o conselho médico do grupo onde exerce funções de presidente executiva. Destaca que o médico tem o seu papel crucial, quer nessas equipas multidisciplinares, quer dentro do hospital, onde aí sim, deve gerir o doente, nomeadamente o internista, por quem revela ter “uma especial dedicação, demonstrada na forma como estão concebidas as equipas de trabalho, por exemplo, no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Aqui é proibido dizer que um doente é da cirurgia, são todos da medicina interna”.

Por seu turno, António Ferreira, defende que a gestão dos hospitais deve ser feita por quem estiver melhor preparado, sublinhando a importância da motivação e da liderança, como atributos principais, manifestando-se contra a hierarquias que não se baseiam no mérito e distinguindo claramente a direção clínica  ou científica, da gestão em si.

Ainda em discussão, alvo de algumas perguntas após as conferências, foi a forma como devem organizar-se os hospitais, concordando ambos representantes do setor privado e do setor público que, a separação dos serviços por espaços distintos e por camas é obsoleta e não está correta do ponto de vista da gestão. António Ferreira, com menor margem para implementar mudanças no Centro hospitalar de S. João, dá como exemplo o encerramento da unidade de internamento de Valongo nos meses de verão, por existir um decréscimo do número de doentes, fator que é difícil de flexibilizar no setor público por causa da gestão de recursos humanos, cujo rácio de enfermeiros está indexado ao número de camas.

José Manuel Silva sustenta a sua opinião, em que o médico está em melhor posição para gerir hospitais, com um estudo recente realizado pela Universidade de Harvard, em unidades norte americanas, onde se demonstra que gerir recursos limitados no Hospital é uma tarefa que só os médicos estão em posição e realizar por conhecerem o meio, desde os consumíveis, os medicamentos até aos meios de diagnóstico, resumindo que só um médico pode saber como gastar muito ou pouco.

As conferências foram presididas por Luís Cunha Ribeiro e moderadas por Filipe Bastos e Ermelinda Pedroso, por parte da Comissão Organizadora.

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