“O Algarve e o Estado Novo”

IV Ciclo de Conferências do RI1 

O Regimento de Infantaria N.º 1 no âmbito das comemorações dos 216 anos do Quartel Atalaia, organizou no passado dia 16 de Fevereiro, na Biblioteca Municipal, Álvaro de Campos, em Tavira, a 2ª conferência de um ciclo de três, tendo convidado como prelectores o Padre, Joaquim Nunes – “Cardeal Cerejeira e a Igreja”, o Dr. Jorge Correia – “O Algarve e o Estado Novo” e o Tenente-Coronel, Brandão Ferreira – “O Enquadramento Geopolítico e Geoestratégico das Campanhas Ultramarinas 1954-1974” 

A conferência foi presidida Cor Inf. Nuno Pereira da Silva – Comandante do Regimento de Infantaria N.º1.

Os temas em debate, mereceram a atenção do muito público presente, entre eles, alguns oficiais superiores do Exército. Uma turma da área de História, da Escola Secundária Dr. Jorge Correia, também esteve presente.

O Padre, Joaquim Nunes, na sua prelecção, destacou o papel do Cardeal Cerejeira e a influência que a igreja teve nessa época. O Dr. Jorge Correia, falou sobre a sua experiência pessoal, como Deputado na Assembleia Legislativa, nessa época. O Ten-coronel, Brandão Ferreira, falou sobre temas mais amplos já que se debruçou sobre as Campanhas Ultramarinas, apresentando, como introdução o texto de Exortação aos Novos de Portugal, escrito por Norton de Matos em 1953. “ Não deixeis que ninguém toque no território nacional – conservar intactos na posse da nação os territórios de além-mar é o vosso principal dever. Não ceder, vender ou trocar ou por qualquer forma alienar a menor parcela de território, tem de ser sempre o vosso mandamento fundamental. Se alguém passar ao vosso lado e vos segredar palavras de desânimo, procurando convencer-nos de que não podemos manter tão grande império, expulsai-o do convívio da Nação”.

Debruçou-se sobre todo o espaço português e também falou de alguns mitos:

– A guerra era insustentável e impedia o desenvolvimento do País;

– Portugal estava “orgulhosamente só” e posicionava-se contra os “ventos da história;

– A guerra durava há muito tempo;

– Portugal estava em contra ciclo com a História e devia ter descolonizado mais cedo;

– A população dos territórios ultramarinos queria ser independente;

– A guerra era injusta e actuávamos contra o Direito Internacional:E, como síntese final, “A primeira lição que a História e a vida nos ensinou é a transitoriedade dos mitos, dos regimes e sistemas”.

O COMANDANTE DO REGIMENTO DE INFANTARIA UM

– Será, em breve, transferido de Unidade

O Coronel, Pereira da Silva, ao agradecer as presenças, deu, segundo ele, a notícia em primeira mão da sua transferência de Unidade para breve “mas ainda terei tempo de organizar a terceira conferência”. Disse-nos ser militar. “Quando assumimos o Comando é por dois anos. Está na hora de dar o lugar a outro que irá fazer outro Comando, outra maneira de comandar. Não sei quem é, mas tenho a certeza absoluta que será uma pessoa seleccionada para responder às novas exigências. Tenho muita pena de me ir embora. Adorei estar aqui. O Algarve é a minha terra de coração e de nascença. Ir-me embora, agora, outra vez, está a provocar-me um sentimento que já provocou à trinta e dois anos atrás quando daqui sai rumo à Academia Militar. A vida é assim. Deixo a família e aquilo que gosto mas a vida é para continuar.”

Geraldo de Jesus

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